Filho de Karleane da Conceição, 25 anos, nasceu sem vida no Hospital Regional do Gama. Médicos não explicaram a causa. Secretaria apura
“Eu já senti meu bebê agitado, elas mesmas [as profissionais de saúde do HRG] sentiram. Fizeram outra cardiotocografia, que constatou 165 batimentos por minuto, mas eles seguiam dizendo que estava tudo bem”, relembra.
A cesárea foi realizada somente na sexta-feira (26/6), por volta das 10h. Segundo depoimento de Karleane, o bebê nasceu sem respirar, sem chorar e com as unhas roxas. “Tentaram reanimá-lo, mas ele não resistiu, não conseguia respirar”. O bebê nasceu apresentando batimentos cardíacos, mas não respirava, de acordo com a mãe.
Eles falam que minha barriga tinha muito líquido e muito sangue. Não souberam falar a causa [da morte, só disseram que ele podia ter alguma má formação”, compartilhou.
Karleane compartilhou com a reportagem imagens do chá revelação de Bernardo, bebê que nasceu sem vida, além de fotos da jovem gestante.
O que diz a SES-DF?
Em nota, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que foi determinada “a imediata apuração das circunstâncias do caso”. “A Secretaria somente se manifestará sobre as circunstâncias do atendimento após a conclusão da investigação, em respeito aos fatos e ao devido processo.”
O recém-nascido foi levado pela própria família ao hospital ao Instituto Médico Legal (IML), a fim de investigar a causa real da morte.
Mortes suspeitas na rede pública
O caso acima relatado é mais um de morte na rede pública de saúde DF sob investigação da Polícia Civil (PCDF) nos últimos dias.
Estão em apuração as mortes de duas mulheres grávidas durante os partos realizados no Hospital Regional de Samambaia (HRSam), o falecimento de uma bebê de 5 meses após uma extubação acidental em uma transferência do Hospital Regional de Planaltina (HRP) para o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) e uma possível violência obstétrica de Luciana Ferreira, mãe que perdeu a primeira filha, que nasceu em parada cardiorrespiratória e falta de oxigênio no útero.
- Nos últimos dias, mortes ocorridas na rede pública de Saúde se tornaram alvo de investigação por suspeita de negligência;
- O primeiro caso foi registrado em 6 de julho, quando uma bebê de 5 meses morreu após ser extubada acidentalmente durante o transferência do Hospital Regional de Planaltina (HRP) para o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB). O caso veio à tona após a denúncia da família.
- Já a morte Maria Graciana Andrade Alves, 36 anos, ocorreu em 10 de julho, no Hospital Regional de Samambaia. A mulher morreu durante o trabalho de partido.
- No dia 12, um homem, identificado como Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, morreu enquanto aguardava por atendimento no pronto-socorro do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). A morte aconteceu após ele sofrer um mal súbito na entrada do hospital.
- Na última segunda-feira (13/7), Maria Aparecida Galdino dos Santos morreu após dar à luz no Hospital Regional de Samambaia (HRSam). Após o nascimento da criança, a equipe hospitalar percebeu que parte da placenta ainda estaria dentro da paciente. Apesar da realização de um procedimento, a mulher morreu devido à hemorragia.
- Em junho, um homem em situação de rua, identificado como Vilmar Pereira da Silva morreu sentado em uma cadeira de rodas na recepção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas. O caso é investigado como possível omissão de socorro.

